A hora e a vez do social commerce

A hora e a vez do social commerce

-Por Alexandre Kavinski; Publicado originalmente no Ecommerce Brasil

 

Chegamos num ponto em que a jornada de compra do consumidor passa quase que obrigatoriamente pelas redes sociais. Para as marcas, fica a missão de estarem presentes e saberem como utilizar estas redes para obter o maior benefício.

No Brasil, talvez um dos maiores exemplos recentes da eficácia de estratégias de varejo no apoio às vendas está nas ações de Magazine Luiza e B2W com influenciadores de peso anunciando ofertas ao vivo no Youtube, durante a última Black Friday. Embora as marcas não divulguem seus números, o Google e os varejistas comemoraram o estrondoso sucesso de suas ações, que levaram a recordes expressivos nas vendas.

Baseados nas experiências do Dia dos Solteiros na China, onde celebridades digitais e do showbiz divulgam ao vivo ofertas relâmpago de diferentes produtos, os varejistas brasileiros apostaram na tendência e não se decepcionaram.

Mas há muito mais oportunidades latentes para o Social Commerce e 2020 deve ser um ano de consolidação para muitas marcas e varejistas mais inovadores. Sucesso especialmente entre as gerações mais jovens, tanto millennials, como Geração Z, que já direcionam a maior parte de seus gastos online em plataformas como Instagram e Snapchat.

Segundo pesquisa de 2018, da Big Commerce, mais de 70% dos jovens americanos entre 18 e 37 anos compraram a partir do Snapchat; e mais de 80% a partir do Instagram.

No Brasil, as marcas se encontram em diferentes momentos; muitas ainda estão dando os primeiros passos em relação à atribuição e à representatividade da influência das redes sociais na decisão de compra, enquanto algumas poucas marcas já vêm explorando o potencial do social nas vendas mais ativamente, como o Magazine Luiza, que desde 2011 permite que internautas criem sua própria vitrine de vendas em suas redes sociais e sejam remunerados por comissão.

Temos ainda um mercado de pequenos e médios explorando soluções simples, mas inéditas até aqui, onde a plataforma de divulgação acontece exclusivamente no Instagram ou até mesmo no WhatsApp.

Pesquisando com empreendedores de pequeno e médio porte, tive a oportunidade de conhecer casos bastante interessantes nos mais variados segmentos, como produtos para salão de beleza, cursos dos mais variados tipos e revenda de produtos de terceiros que estavam pautados de forma exclusiva em uma ou outra plataforma social com grande sucesso.

A chegada dos pagamentos via WhatsApp no Brasil ainda este ano, de acordo com comunicado recente do próprio Zuckerberg, deve esquentar ainda mais a busca pelos negócios baseados em social. Também novas funcionalidades e integrações de plataformas de e-commerce, como Shopify, aos ambientes virtuais devem turbinar uma nova geração de empresas e a adesão de marcas mais conhecidas ao social commerce.

A popularização deste tipo de comércio deve alavancar também a consolidação de vídeos curtos como principal formato de divulgação de produtos nas redes sociais. De acordo com pesquisa da Hubspot, 72% dos consumidores preferem aprender mais sobre um produto assistindo a um vídeo e, em pesquisa da Marketing Land, 62% das pessoas se interessaram mais por um produto ao ver um vídeo da marca publicado em seus stories. Não é à toa que vídeo já representava 38% do investimento em digital no país em 2018, de acordo com pesquisa do IAB.

Nos EUA, onde o mercado já está mais amadurecido, as vendas de produtos das maiores 500 empresas através das redes sociais em 2017 totalizaram USD 6.5 bilhões, um crescimento de 24% em relação ao ano anterior.

Minha expectativa é que 2020 seja um ano de experiências para alguns varejistas e de consolidação para outros que já entraram mais cedo no jogo. O que é certo é que tanto Google como Facebook devem apostar alto em ações, funcionalidades e no discurso de vendas de suas plataformas sociais impulsionando ainda mais este mercado. Estaremos de olho.

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